{"id":3372,"date":"2024-05-17T11:12:00","date_gmt":"2024-05-17T11:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ecomuseu-corvo.cultura.azores.gov.pt\/?p=3372"},"modified":"2024-05-17T15:48:18","modified_gmt":"2024-05-17T15:48:18","slug":"as-ondas-da-radio-e-o-25-de-abril-no-corvo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ecomuseu-corvo.cultura.azores.gov.pt\/en\/2024\/05\/17\/as-ondas-da-radio-e-o-25-de-abril-no-corvo\/","title":{"rendered":"As &#8220;Ondas da R\u00e1dio&#8221; e o 25 de Abril no Corvo"},"content":{"rendered":"<p>25 de Abril de 1974, o dia da revolu\u00e7\u00e3o que trouxe a democracia e a liberdade a Portugal.<br> Este ano de 2024 marca o 50.\u00ba anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica que p\u00f4s fim ao regime ditatorial que se vivia em Portugal desde 1926.<br>Quase 50 anos passados, procuramos hoje relembrar os acontecimentos desse dia. Que viv\u00eancias se deixaram para tr\u00e1s. O que se conquistou e o que se modificou.<br>Para Portugal, a Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril de 1974 significou o final do Estado Novo, da censura e da guerra, que deram o lugar \u00e0 liberdade e \u00e0 democracia. Na Madeira e nos A\u00e7ores significou, tamb\u00e9m, a autonomia; uma autonomia que perdura e que favorece o crescimento e a evolu\u00e7\u00e3o destas duas regi\u00f5es aut\u00f3nomas de Portugal, de caracter\u00edsticas t\u00e3o singulares.<br>A autonomia dos A\u00e7ores permitiu uma maior unifica\u00e7\u00e3o das nove ilhas, que anteriormente se dividiam em tr\u00eas distritos distintos e que mesmo na autonomia administrativa de 1895 n\u00e3o tinha integrado o conjunto das ilhas a\u00e7orianas (na altura, as quatro ilhas do antigo distrito da Horta n\u00e3o integraram a primeira autonomia). A unifica\u00e7\u00e3o de 1976 perdurou, assim como o sempre pujante regime auton\u00f3mico.<br>Apesar da sua pequena dimens\u00e3o, reduzida popula\u00e7\u00e3o e isolamento, a influ\u00eancia do regime do Estado Novo estava muito presente no quotidiano da ilha do Corvo no per\u00edodo que antecedeu o 25 de Abril de 1974.<br>At\u00e9 aqui, no extremo mais ocidental da Europa, os longos tent\u00e1culos da PIDE chegaram. A censura fazia-se sentir no dia a dia dos corvinos, que eram regidos por normas de conduta controladas, com m\u00e3o de ferro, pelo ent\u00e3o professor e Presidente da C\u00e2mara, Alfredo Lopes, que estabeleceu e fez observar diversas proibi\u00e7\u00f5es.<br>Ter\u00e1 proibido que as galinhas andassem \u00e0 solta pelos caminhos; estabelecido que quem deixasse cair lixo na rua era multado e que quem n\u00e3o agisse em conformidade com as regras definidas, era multado em 3$00 (custo pesado para a \u00e9poca).<br>Com base em alguns depoimentos por n\u00f3s recolhidos, existiram, alegadamente, informantes da PIDE no Corvo. Situa\u00e7\u00e3o que criou constrangimentos, de diversa ordem e natureza, entre a popula\u00e7\u00e3o da ilha.<br>Foram tamb\u00e9m v\u00e1rios os corvinos que foram recrutados para combater na Guerra do Ultramar, em Angola, na Guin\u00e9 e em Mo\u00e7ambique. Foram 16 no total. Trata-se de um n\u00famero consider\u00e1vel de homens, isto tendo em conta a pequena dimens\u00e3o demogr\u00e1fica da ilha. Ter\u00e1 sido certamente uma situa\u00e7\u00e3o desconcertante para esses jovens, como o foi para tantos outros portugueses do resto do pa\u00eds, terem de partir da sua pequena e pac\u00edfica localidade, para o dif\u00edcil cen\u00e1rio de guerra que as tropas portuguesas enfrentavam em \u00c1frica.<br>O Sr. Jos\u00e9 Maria Fraga, de 73 anos, foi quem, amavelmente, nos descreveu as suas viv\u00eancias nesse tempo. Quando se deu o 25 de Abril de 1974, o Sr. Fraga encontrava-se j\u00e1 no Corvo, regressado da Guerra Colonial. Foi combatente no leste de Angola, nomeadamente em Cangombe, Cangamba, Alto Cu\u00edto, Nhonga e Bi\u00e9, pa\u00eds onde esteve 26 meses e 18 dias, como conta com inabal\u00e1vel mem\u00f3ria e precis\u00e3o.<br>Regressou no dia 24 de abril de 1974, um dia antes da data da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril. Foi tamb\u00e9m ele quem nos relatou como chegou ao Corvo a not\u00edcia da ocorr\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o.<br>Como sucedeu em muitos pontos do pa\u00eds, a not\u00edcia chegou ao Corvo atrav\u00e9s da r\u00e1dio. Na altura j\u00e1 existiam no Corvo algumas pessoas (poucas) que tinham r\u00e1dio em casa, como era o caso da futura esposa do Sr. Fraga, a Sr.\u00aa Maria Jos\u00e9 Mendes, que na casa dos pais tinha um r\u00e1dio. Foi atrav\u00e9s das emissoras de r\u00e1dio que transmitiam para o Corvo, a Emissora Nacional, o Asas do Atl\u00e2ntico, o R\u00e1dio Clube Portugu\u00eas e a R\u00e1dio Clube de Angra, que os corvinos tiveram conhecimento que a ditadura havia findado.<br>Assim, no \u00e2mbito do 50.\u00ba Anivers\u00e1rio do 25 de Abril de 1974, o Ecomuseu do Corvo selecionou um aparelho de r\u00e1dio como pe\u00e7a emblem\u00e1tica e de elevada import\u00e2ncia para a ilha.<br>Salientamos o aparelho de r\u00e1dio da marca Grundig, modelo 3088, fabricado na antiga Alemanha Ocidental, na d\u00e9cada de 50 do s\u00e9culo XX.<br>Este r\u00e1dio pertence \u00e0 Par\u00f3quia de Nossa Senhora dos Milagres de Vila do Corvo. Foi atrav\u00e9s do Sr. Padre Francisco Xavier que tom\u00e1mos contacto com esta pe\u00e7a t\u00e3o emblem\u00e1tica, tendo sido autorizada a sua an\u00e1lise e o seu registo fotogr\u00e1fico.<br>Este exemplar antigo encontra-se em muito bom estado de conserva\u00e7\u00e3o, constituindo uma mem\u00f3ria material dos meios tecnol\u00f3gicos da \u00e9poca que permitiram a r\u00e1pida chegada da not\u00edcia do fim do Estado Novo e o in\u00edcio de uma nova era pol\u00edtica para Portugal e tamb\u00e9m para a ilha do Corvo. No caso em apre\u00e7o, este foi mesmo o aparelho onde muitos ouviram, na ilha do Corvo, a not\u00edcia da chegada da liberdade e da democracia ao pa\u00eds.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>25 de Abril de 1974, o dia da revolu\u00e7\u00e3o que trouxe a democracia e a liberdade a Portugal. 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